Formato

14 cm x 21 cm

Idioma

Português

Tradutor

Mariângela Guimarães

ISBN

978-85-67861-08-1

País

Países Baixos

Vencedor do prêmio Independent Foreign Fiction
Finalista do Prêmio IMPAC Dublin
Traduzido para mais de 20 idiomas

O livro

Uma mulher holandesa aluga uma pequena fazenda numa região remota do interior do País de Gales. Ela se apresenta como Emilie. Emilie fugiu do marido após confessar ter tido um caso com outro homem. Em Amsterdã, o marido, em estado de choque, faz uma estranha parceria com um detetive que aceita ajudá-lo a localizar a mulher. A dupla embarca na balsa para Hull, na Inglaterra, na véspera do Natal. Enquanto isso, na fazenda alugada por Emilie, um jovem que estava caminhando com seu cachorro se machuca e passa a noite no local. Depois, acaba ficando. Mas uma sensação esquisita paira no ar: será que ele está ciente da situação em que está se metendo?
O que vai acontecer quando o marido chegar com o detetive?

Ambientado numa natureza desoladora e ainda intacta, caraterizado por uma mescla de consolo e ameaça, este romance desperta uma sensação de trama sutil e consegue extrair do anseio silencioso de uma mulher momentos fugazes de profunda beleza e compaixão. Um romance sobre as pessoas que estão em busca de isolamento, mas que não são capazes de se distanciar do mundo à sua volta.

O Desvio é uma bela obra de ficção, que comove o leitor de uma forma estranha. Uma leitura silenciosa que acaba pairando na mente, como os fantasmas pairam em nossas casas e no ambiente
ao nosso redor.”

The Guardian

Após pouco menos de um mês, dos dez gansos brancos gordos que costumavam ficar nos campos à beira da estrada, apenas sete sobraram. Tudo que ela encontrou dos outros três foram penas soltas e uma pata cor de laranja. Os que sobraram ficavam lá, impassíveis, comendo capim. Ela não conseguia imaginar outro predador que não fosse uma raposa, mas não ficaria surpresa se houvesse lobos ou até mesmo ursos na região. Tinha a sensação de que os gansos haviam sido devorados por sua culpa, que ela era a responsável por sua morte.

“Este romance cativante capta perfeitamente aquela sensação de uma pessoa que não tem a menor ideia de qual será o próximo
passo e não está em posição nem de avançar nem de recuar.”

the independent

Neblina. O mundo estava parado. Quase não havia ruído, até a corrente do riacho soava como se a água passasse por uma peneira de gaze. Mesmo assim, ela foi trabalhar no jardim. O primeiro amieiro agora estava completamente cortado, e ela já havia cortado alguns galhos grossos do segundo. Começou a trabalhar com muita calma. Quando sentiu que estava ficando cansada, desceu com cuidado da cadeira da cozinha e foi para dentro se sentar um pouco perto do fogão. Foi só depois de tomar um chá, comer alguma coisa e fumar um cigarro que ela voltou para fora. Tirou os ramos laterais dos galhos e os colocou numa pilha encostada no muro do jardim, na parte mais estreita do gramado. Com um tempo assim, Dickinson estaria tossindo e suspirando dentro de casa, pensou ela, e escreveria sobre dias suaves de primavera e a primeira abelha.

“Um mistério que acaba afetando o leitor… pleno de significado
e sutilmente ameaçador.”

The New Yorker

Com frequência, o tempo era cinzento. O mar ficava perto. Quando olhava por uma das janelas do andar de cima durante o dia, às vezes conseguia avistá-lo. Outras vezes, era impossível vê-lo. Apenas árvores, principalmente carvalhos, às vezes vacas amarronzadas, que olhavam para ela curiosas e indiferentes ao mesmo tempo. À noite, ela ouvia barulho de água, de um riacho que corria próximo à casa. Vez ou outra, acordava assustada: o vento havia mudado de direção ou intensidade, e o som da água desaparecia. Estava ali havia umas três semanas. Tempo bastante para acordar porque um som estava faltando.

O autor

Gerbrand Bakker, jardineiro por profissão, nasceu em Wieringerwaard, na Holanda, em 1962, e é um dos mais aclamados escritores holandeses de sua geração. Suas primeiras obras foram um dicionário etimológico para crianças e um conto de literatura infantil. Seu romance de estreia, Tudo está tranquilo lá em cima (que também será publicado pela Rádio Londres), ganhou o prêmio IMPAC Dublin Literary Award. Em 2013, seu segundo romance, O desvio, conquistou o Independent Foreign Fiction Prize.
Seus trabalhos foram traduzidos para mais de vinte idiomas.

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