Encardenação

Brochura

Idioma

Português

Tradutor

Alexandre Barbosa de Souza

ISBN

978-85-67861-29-6

País

Estados Unidos

Segundo livro da Trilogia da planície

O livro

Voltamos para Holt. A vida dos irmãos Harold e Raymond McPheron mudou para sempre depois de eles acolherem Victoria Roubideaux e a pequena Katie em sua casa. Mas agora a garota resolveu frequentar a universidade e se mudar para Fort Williams. Perto dos McPheron, mora DJ, um garoto órfão e solitário que cuida de seu avô. DJ faz amizade com Dena, a filha dos vizinhos, e sua história se entrelaça com a de Joy Rae e a de seu irmão Richie, que moram num trailer com a família e são monitorados pela assistência social.

Como em Canto da planície e Bênção, as vidas dos protagonistas se entrelaçam. Os leitores de Kent Haruf encontram, mais uma vez, a voz leve que nos fala das muitas faces do crescimento interior, aquela fronteira que muitas vezes parece inalcançável, mas que, em qualquer idade, pode ser ultrapassada ao se vencer o medo e voltar a encontrar o desejo de prosseguir com a viagem da vida.

Com seu estilo sóbrio e elegante, Haruf conseguiu construir na Trilogia da planície uma paisagem literária comparada ao Mississippi de Faulkner, O Oeste de Sherwood Anderson e a Califórnia do Norte de Wallace Stegner.

“Esse romance tem o fascínio assombroso da música e dos ritmos folk de uma balada americana e a delicadeza bela e comedida de um antigo hino.”

Michiko Kakutani, The New York Times

Velho e decadente, antigamente o trailer fora azul-turquesa brilhante, mas, sob o sol quente e o vento fustigante, a cor desbotara, transformando-se em um amarelo sujo. Do lado de dentro, havia pilhas de roupas pelos cantos e um saco de lixo cheio de latas de refrigerantes vazias apoiado à geladeira. O marido estava sentado à mesa da cozinha bebendo Pepsi em um copo grande cheio de gelo. Diante dele, no prato, havia restos de waffles congelados e ovos fritos. Era um homem pesado de cabelos negros e calças de moletom gigantescas. Sua barriga enorme aparecia sob a camiseta marrom e seus braços imensos ultrapassavam o espaldar da cadeira. Ele estava encostado, descansando após o desjejum.

“Um livro cheio de gentileza em um mundo cruel… repleto de impulsos honestos, que vêm de pessoas de verdade, e dos efeitos eventuais da leveza.”

the washington post

Em casa, sob o céu desbotado, eles caminharam até o estábulo, os currais e o barracão, para ver como estavam as coisas, e o gado e os cavalos pareciam estar bem. Então, eles voltaram pelo caminho de cascalhos até a casa. Mas agora a agitação do dia tinha ido embora. Estavam cansados e sonolentos. Esquentaram a sopa enlatada no fogão e comeram sentados à mesa da cozinha. Depois deixaram os pratos na pia e foram até a sala para ler o jornal. Às dez, eles ligaram a velha televisão para assistir a quaisquer notícias sobre alguma parte do mundo, antes de subir a escada e ir se deitar em suas camas, cada um no seu quarto, nos dois lados do corredor, consolados ou não, desencorajados ou não, por seus próprios pensamentos de sempre e de suas próprias lembranças gastas pelo tempo.

“Muito denso e cheio de compaixão… Cada ação em Holt lança uma sombra longa, e a ideia principal por trás da história de Haruf é contar o que acontece quando essas sombras se sobrepõem.”

the new yorker

Raymond ficou deitado na cama, no quarto escuro, olhando pela janela para as árvores sem folhas diante do hospital. Duas horas depois, ele ainda estava acordado quando começou a ventar, um vento que zunia e uivava nos galhos mais altos. Pensou no que o vento estaria fazendo no sul da cidade e se perguntou se Victoria e a garotinha seriam acordadas por ele. Esperava que não. Mas, no pasto do sul, o gado estaria todo de pé, acordado, de costas para o vento, e haveria pequenas tempestades de poeira soprando nos currais, fazendo com que esvoaçassem pedaços secos de esterco e a lama solta em volta do celeiro.

“Intensamente melancólico e, apesar disso, cheio de esperança,
No final da tarde, de Kent Haruf, é uma descrição inexorável dos desafios da existência numa pequena cidade do interior, iluminada por incríveis momentos de redenção. Verdades melancólicas encadeadas até formar uma melodia deslumbrante… Haruf
declama o segundo poema de seu hino tocante à vida nas
grandes planícies americanas.”

Kirkus Review

Estava tarde, mas ainda não era meia-noite quando Raymond saiu da casa de Rose e entrou em sua caminhonete. Eles haviam voltado ao Wagon Wheel Cafe para jantar e o café estava mais apinhado ainda do que antes, mas isso não tinha importância, pois eles estavam se divertindo muito, e depois voltaram para a casa dela e beberam café e fizeram amor. Agora ele estava indo para casa. Era uma bela noite de primavera e ele se sentia pleno de prazer, feliz como nunca.

O autor

Kent Haruf, nascido em Pueblo, Colorado, em 1943, filho de uma professora e de um pregador da igreja metodista, é internacionalmente aclamado por seus romances delicados e sutis sobre a vida no interior do oeste dos Estados Unidos. Ao lado de Cormac McCarthy, Richard Ford e Annie Proulx, Haruf é considerado um dos pioneiros na criação de um moderno épico americano. Depois de se formar na Nebraska Wesleyan University em 1965 e de um breve período como voluntário da Peace Corps na Turquia, começou a escrever contos. Em 1973, foi aceito no prestigioso curso de Escrita Criativa na Universidade de Iowa e, em 1976, tornou-se professor assistente na Southern Illinois University, instituição na qual, por dez anos, ensinou ficção. Em 1984, ecreveu seu primeiro romance. No total, publicou seis romances, inclusive a Trilogia da planície, considerada sua obra-prima, cujo lançamento no Brasil está a cargo da Rádio Londres. Em 2000, voltou para o Colorado, para morar, com sua segunda esposa, em Salida, nas Montanhas Rochosas. Ali morreu, aos 71 anos, em 2014.

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