Formato

14 cm x 21 cm

Idioma

Português

Tradutor

Maria de Fátima Oliva do Coutto

ISBN

978-85-67861-27-2

País

França

Autor convidado da FLIP 2019
Prix Goncourt des Lycéens
Prix du Roman des Étudiants France Culture-Télérama
Prix du Premier Roman
Traduzido para mais de 30 idiomas
Mais de 800 mil cópias vendidas

O livro

Burundi, 1992. Gabriel, 10 anos, mora com o pai francês, um empresário, a mãe ruandesa e a irmã caçula, Ana, em um bairro nobre de Bujumbura, onde a maior parte dos moradores são membros de uma comunidade de estrangeiros. Gabriel passa a maior parte do tempo com os amigos e companheiros de aventuras, uma alegre brigada que se ocupa do roubo de mangas dos vizinhos e organiza um comércio clandestino de cigarros Supermatch. Mas essa existência despreocupada é prematura e brutalmente interrompida pela História. Primeiro, Gabriel assiste, impotente, à separação de seus pais; depois, ao início da guerra civil, seguida pela tragédia do genocídio ruandês. Gabriel, que sempre se via apenas como uma criança qualquer, começa a se descobrir mestiço, tútsi, francês. Com uma leveza e uma elegância raras, Gaël Faye consegue evocar os tormentos e as inquietações de um menino preso no mecanismo inexorável da História, tentando lidar com eventos que o obrigam a amadurecer mais cedo do que o previsto. São sensações que o autor conhece pessoalmente, o que torna este primeiro romance — repleto de momentos trágicos e de humor, de luzes e sombras — ainda mais excepcional.

“Gaël Faye é uma revelação. Meu pequeno país é um romance brilhante e cativante sobre infância, guerra, exílio e a questão da identidade (…) Trata-se de literatura em sua forma mais poderosa.”

Le Parisien Magazine

Voltamos para a Kombi Volkswagen com o resto de nossa colheita, a fim de nos empanturrar de mangas. Uma orgia. O suco escorria pelos queixos, pelas bochechas, pelos braços, pelas roupas, pelos pés. Os caroços escorregadios eram chupados, depenados, raspados. A parte de dentro da casca da fruta, debastada, lambida, limpa. Os fiapos ficavam presos entre os dentes. Uma vez saciados, entupidos de todo aquele suco e de toda aquela polpa, a respiração curta e a barriga inchada, nós cinco afundamos nos assentos velhos e empoeirados da Kombi Volkswagen, as cabeças inclinadas para trás. Nossas mãos estavam pegajosas, nossas unhas, pretas, nossos risos, fáceis, e nossos corações, adocicados. Era o repouso dos colhedores de mangas.

“Este lindo romance de passagem à idade adulta transmite um anseio angustiante por gentileza e harmonia. O resultado é uma visão do mundo — uma visão não política, mas poética — que tenta encontrar equilíbrio entre o horror e a maravilha.”

Le Figaro

Certo domingo, por capricho, Papai decidiu nos levar para almoçar em Resha, à beira do lago, a sessenta quilômetros de Bujumbura. Foi nosso último domingo em família, todos os quatro. As janelas do carro estavam escancaradas e o vento fazia tanto barulho que era preciso um esforço danado para escutar alguma coisa. Mamãe parecia ausente e Papai tentava disfarçar o silêncio dando, sem parar, explicações que ninguém havia pedido. Era o final da estação das chuvas e o céu estava claro. Dava para avistar o brilho dos telhados de zinco sobre as montanhas do Zaire a cinquenta quilômetros, do outro lado da margem. Nuvenzinhas brancas formavam bolas de algodão suspensas diante da cadeia de montanhas.

Meu pequeno país é o oposto de um romance de grandes palavras e muito barulho. Ele nos afeta sem se impor a nós, mostrando como
a guerra se insinua aos poucos, de uma forma sub-reptícia, em
nossas vidas.”

Süddeutsche Zeitung

Estou obcecado por esse regresso. Nem um dia sequer se passa sem que eu deixe de me lembrar do país. Um som furtivo, um odor difuso, uma luz na parte da tarde, um gesto, às vezes um silêncio, tudo isso basta para despertar lembranças da infância. “Você não encontrará nada lá além de fantasmas e de um monte de ruínas”, não cansa de repetir Ana, que nunca mais quer ouvir falar daquele “país maldito”. Eu a escuto. Acredito nela. Sempre foi mais lúcida que eu. Então, afugento essa ideia da cabeça. Decido, de uma vez por todas, jamais regressar. Minha vida é aqui. Na França. Não moro mais em lugar algum. Morar significa fundir-se carnalmente à topografia de um lugar, aos meandros desiguais do ambiente. Aqui, não sinto nada disso. Apenas transito. Alojo-me. Hospedo-me. Albergo-me.

O compositor e rapper

Deslocado e isolado em Paris, Gaël Faye se dedica ao hip-hop, primeiro como uma forma de aprender o francês e, depois, para conseguir libertar-se das marcas deixadas pela guerra. “Eu estava um pouco perdido. Cheguei em um país novo com um clima frio e tudo mudou. E, então, comecei a escrever. Não tinha amigos e a escrita tornou-se meu primeiro companheiro”, confessou ao jornal The New Times, de Ruanda. Três anos mais tarde, ele compunha sua primeira canção.

O estalo para que a música fosse uma alternativa verdadeira aconteceu em 2003, quando escreveu A-France, faixa que abriria o disco de 2013, Pili pili sur un croissant au beurre, seu primeiro trabalho. Sua música é um híbrido de rap, soul e jazz, e também se nutre das influências de vários gêneros musicais africanos, como a semba angolana e a rumba congolesa. Em suas músicas, Gaël Faye retrata constantemente a sociedade francesa e as questões de identidade e raça.

Tôt le matin

Petit Pays

Balade brésilienne

O autor

Gaël Faye nasceu em 1982, em Burundi, de pai francês e mãe ruandesa. Em 1995, após a deflagração da guerra civil e o genocídio em Ruanda, mudou-se para a França com a irmã caçula, para morar no apartamento da mãe, perto de Paris. É compositor e cantor de rap. Em 2010, lançou um álbum junto com a banda hip-hop francesa Milk Coffee & Sugar, seguido, em 2013, pelo primeiro álbum solo, Pili Pili sur un Croissant au Beurre. Sua música é um híbrido de rap, soul e jazz, e também se nutre das influências de vários gêneros musicais africanos, como a semba angolana e a rumba congolesa, entre outros. Meu pequeno país, seu primeiro romance, tornou-se best-seller na França, onde ganhou vários prêmios literários, inclusive o prestigioso Prix Goncourt des Lycéens, e foi traduzido para mais de trinta idiomas.

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