NOVEMBRO

As verdadeiras riquezas

Kaouther Adimi

Ryad, um jovem e indolente estudante universitário parisiense de 20 anos, chega a Argel com o objetivo de completar seu estágio, que consiste em esvaziar a lendária livraria As Verdadeiras Riquezas e em se desfazer de todos os livros. Ryad não gosta de leitura e quase tem medo da escrita; para ele, os livros são apenas uma fonte de ácaros e poeira. Dessa forma, ele encara essa experiência como uma desagradável tarefa que lhe é imposta. Contudo, uma vez instalado na livraria, o jovem, inevitavelmente, mergulha na atmosfera imensamente evocativa do lugar e, por meio dos livros com páginas amareladas, cujas pilhas abarrotam o minúsculo espaço, e das inúmeras fotos desbotadas ainda penduradas nas paredes, descobre aos poucos a excepcional experiência humana de Edmond Charlot, que, em 1936, aos vinte anos, montou a livraria e, pouco mais tarde, as Éditions Charlot. O local funcionava como um ponto de encontro de um extraordinário grupo de aspirantes escritores que incluía, entre outros, Albert Camus, Jean Giono, Saint-Exupéry e André Gide. Nessa experiencia, Ryad é acompanhado pelo velho Abdallah, o último livreiro de As Verdadeiras Riquezas, uma espécie de guia espiritual que se recusa a deixar o lugar. Essa história, uma combinação de eventos reais e invenção literária, é contada através de uma série de saltos entre passado e presente, usando os diários de Edmond Charlot como fio condutor.

 “Uma maravilhosa declaração de amor pela literatura, o único elo verdadeiro entre as épocas e as pessoas.”

Elle

OUTUBRO

Em busca do Barão Corvo

A.J.A. Symons

Escritor, pintor, fotógrafo, aspirante a padre católico e dândi homossexual, Frederick Rolfe, ao longo de sua vida, foi um personagem dividido entre a abjeção e o senso do sublime, dedicado à busca do sucesso e destinado à derrota. O homem que quis mudar seu nome para Barão Corvo não obteve, em vida, o desejado reconhecimento, e sua existência se passou como uma obra de arte provocante e dramática. Praticamente tudo que sabemos a seu respeito vem principalmente da investigação de A.J.A. Symons, que, em 1934, esboçou esse retrato extraordinário. Symons, fascinado por seu sujeito, em quem não conseguiu deixar de se reconhecer pelo menos parcialmente, construiu um enredo fascinante, cheio de contradições e ambiguidades, filtrando a quantidade significativa de testemunhos em uma escrita límpida e uma estrutura narrativa extremante refinada.

Em busca do Barão Corvo é uma das biografias mais importantes de todos os tempos, uma obra duradoura da literatura inglesa do século XX.

 “Uma vez preso na ‘busca’, o leitor se pergunta como é possível ter vivido tanto tempo sem encontrar esse homem misterioso e indefinível, bem como sua obra.”

The New York Times

SETEMBRO

No final da tarde

Kent Haruf

Voltamos para Holt. A vida dos irmãos Harold e Raymond McPheron mudou para sempre depois de eles acolherem Victoria Roubideaux e a pequena Katie em sua casa. Mas agora a garota resolveu frequentar a universidade e se mudar para Fort Williams. Perto dos McPheron, mora DJ, um garoto órfão e solitário que cuida de seu avô. DJ faz amizade com Dena, a filha dos vizinhos, e sua história se entrelaça com a de Joy Rae e a de seu irmão Richie, que moram num trailer com a família e são monitorados pela assistência social.

Como em Canto da planície e Bênção, as vidas dos protagonistas se entrelaçam. Os leitores de Kent Haruf encontram, mais uma vez, a voz leve que nos fala das muitas faces do crescimento interior, aquela fronteira que muitas vezes parece inalcançável, mas que, em qualquer idade, pode ser ultrapassada ao se vencer o medo e voltar a encontrar o desejo de prosseguir com a viagem da vida.

“Esse romance tem o fascínio assombroso da música e dos ritmos folk de uma balada americana e a delicadeza bela e comedida de um antigo hino.”

Michiko Kakutani, The New York Times

AGOSTO

O desvio

Gerbrand Bakker

Uma mulher holandesa aluga uma pequena fazenda numa região remota do interior País de Gales. Ela se apresenta como Emilie. Emilie fugiu do marido após confessar ter tido um caso com outro homem. Em Amsterdã, o marido, em estado de choque, faz uma estranha parceria com um detetive que aceita ajudá-lo a localizar a mulher. A dupla embarca na balsa para Hull, na Inglaterra, na véspera do Natal. Enquanto isso, na fazenda alugada por Emilie, um jovem que estava caminhando com seu cachorro se machuca e passa a noite no local. Depois, acaba ficando. Mas uma sensação esquisita paira no ar: será que ele está ciente da situação em que está se metendo? O que vai acontecer quando o marido chegar com o detetive?

Ambientado numa natureza desoladora e ainda intacta, caraterizado por uma mescla de consolo e ameaça, este romance desperta uma sensação de trama sutil e consegue extrair do anseio silencioso de uma mulher momentos fugazes de profunda beleza e compaixão.

O Desvio é uma bela obra de ficção, que comove o leitor de uma forma estranha. Uma leitura silenciosa que acaba pairando na mente, como os fantasmas pairam em nossas casas e no ambiente ao nosso redor.”

the guardian

JULHO

Canto da planície

Kent Haruf

Canto da Planície, publicado originalmente em 1999, é o terceiro romance de Kent Haruf e o primeiro da Trilogia da planície. O título original, Plainsong, é uma alusão a um estilo de canto praticado nos primeiros séculos do cristianismo. E, assim como, nesse tipo de canto, as vozes graves dos coros e dos solistas se alternam, Haruf, igualmente, entrelaça as histórias de vários moradores de Holt, um lugar fictício mas representativo dos povoados do oeste americano: uma adolescente grávida expulsa de casa, um professor abandonado pela esposa, que sofre de depressão, os dois filhos dele, ainda garotos, e dois velhos irmãos fazendeiros que moram numa casa isolada fora da cidade. A partir desses elementos simples, Haruf constrói uma narrativa permeada de imensa delicadeza, mas também de grande tensão emotiva, em um ritmo crescente que, por meio das vozes aparentemente secas e tímidas dos personagens, envolve o leitor e o transporta para a atmosfera de Holt. Ao ser publicado, Canto da planície obteve imediato e extraordinário sucesso de público e de crítica, tornando-se um best-seller e fazendo de Kent Haruf, da noite para o dia, uma celebridade literária.

O Desvio é uma bela obra de ficção, que comove o leitor de uma forma estranha. Uma leitura silenciosa que acaba pairando na mente, como os fantasmas pairam em nossas casas e no ambiente ao nosso redor.”

the guardian

JULHO

Meu pequeno país

Gaël Faye

Burundi, 1992. Gabriel, 10 anos, mora com o pai francês, um empresário, a mãe ruandesa e a irmã caçula, Ana, em um bairro nobre de Bujumbura, onde a maior parte dos moradores são membros de uma comunidade de estrangeiros. Gabriel passa a maior parte do tempo com os amigos e companheiros de aventuras, uma alegre brigada que se ocupa do roubo de  mangas dos vizinhos e organiza um comércio clandestino de cigarros Supermatch. Mas essa existência despreocupada é prematura e brutalmente interrompida pela História. Primeiro, Gabriel assiste, impotente, à separação de seus pais; depois, ao início da guerra civil, seguida pela tragédia do genocídio ruandês. Gabriel, que sempre se via apenas como uma criança qualquer, começa a se descobrir mestiço, tútsi, francês. Com uma leveza e uma elegância raras, Gaël Faye consegue evocar os tormentos e as inquietações de um menino preso no mecanismo inexorável da História, tentando lidar com eventos que o obrigam a amadurecer mais cedo do que o previsto. São sensações que o autor conhece pessoalmente, o que torna este primeiro romance — repleto de momentos trágicos e de humor, de luzes e sombras — ainda mais excepcional.


“Este lindo romance de passagem à idade adulta transmite um anseio angustiante por gentileza e harmonia. O resultado é uma visão do mundo — uma visão não política, mas poética — que tenta encontrar equilíbrio entre o horror e a maravilha.”

le figaro

LANÇAMENTOS FUTUROS

dezembro 2019

Bênção

Kent Haruf

janeiro 2020

Marcas de nascença

Arnon Grunberg

FEVEREIRO 2020

Difícil ser Deus

Arkady e Boris Strugatsky

MARÇO 2020

Hello America

J.G. Ballard

ABRIL 2020

O imitador de homens

Walter Tevis

maio 2020

Adeus fantasmas

Nadia Terranova

JUNHO 2020

Milkman

Anna Burns

JULHO 2020

O refugiado

Arnon Grunberg

JULHO 2020

Super-Cannes

J.G. Ballard